Connecting Software quer duplicar a mão-de-obra até 2023
Económico Madeira
O objectivo é crescer dos actuais 20 trabalhadores para um máximo de 40. O CEO da empresa também destaca os efeitos multiplicadores que a região teria se atraísse mais negócios.
Connecting Software muda de instalações por falta de espaço e já está a acomodar a necessidade de contratação. O plano da empresa, liderada por Thomas Berndorfer, é duplicar os membros da equipe até 2023, de 20 para um máximo de 40. Atualmente existem vagas no departamento de vendas e no departamento técnico para o cargo de arquiteto de soluções.
Entre as metas da empresa está também um maior equilíbrio na força de trabalho, a fim de trazer uma cultura mais internacional para o Connecting Software. Neste momento, 65% são nacionais (dos quais 70% são da Madeira) e 35% são estrangeiros.
“Gostaríamos de ter uma boa mistura. É bom para os locais trabalharem num ambiente internacional. E é bom para os estrangeiros trabalharem com os locais. É uma combinação frutífera. Um dos problemas que tivemos no passado é que a cultura empresarial portuguesa é muito emocional e baseada em relações. Mas nas culturas inglesa, escandinava ou alemã, é necessário ser mais preciso e mais rápido”, afirma o CEO da Connecting Software.
“Como a maior parte dos nossos contactos é internacional, precisamos de ter um bom inglês. As pessoas que trabalham connosco e que têm muita comunicação com o cliente não devem traduzir do português para o inglês e depois responder. É preciso pensar em inglês. E isso só pode acontecer se tivermos uma combinação em que a maioria fala inglês. E isso só pode acontecer se tivermos aqui pessoas que não falam português. Se todos falassem português, ninguém falaria inglês”, salienta Thomas Berndorfer.
O empresário dá exemplos das diferenças entre as diversas culturas e da necessidade de adaptação. “Se alguém da Rússia diz 'ele está a trabalhar', é um elogio; se um americano diz 'ele está a trabalhar', é algo negativo. Se disser que é bom, tudo bem; se disser que é fantástico ou espetacular, então é bom. É preciso entender diferentes personalidades, diferentes culturas, como elas são e como pensam. Essa é a parte da comunicação”, reforça o CEO. “A parte do produto, nós construímos com base na experiência e nas necessidades. O produto não se vende sozinho”, explica.
Berndorfer acredita que é necessário ser o “melhor fornecedor para o cliente” e não o contrário.
“Temos que fabricar o produto, e a comunicação do produto não é apenas um software. O produto é o primeiro passo no marketing, apresentação, testes, suporte, comunicação, etc. Tudo isso junto forma o produto. Se eu tiver um BMW e ninguém na ilha souber reparar um BMW, será que temos um bom carro? É um bom carro, mas precisamos de manutenção. Se tivermos apenas uma pessoa que sabe reparar um BMW e ela for rude e insultuosa, não gostaríamos do carro, porque o serviço faz parte do carro. O produto é uma parte, mas tudo o que o rodeia compõe a solução global. Isto é mais fácil de encontrar com uma equipa internacional. Se, por exemplo, tivesse exclusivamente uma equipa de madeirenses, seria um bom produto para os madeirenses, mas seria um bom produto para outros países?”, considera Thomas Berndorfer.
Madeira deve apostar na atracção de empresas
Na edição de 3 de janeiro de 2020 do Económico Madeira, Thomas Berndorfer falou do sonho de ter a Madeira como um Vale do Silício. Este sonho não será assim tão irrealista, com o CEO da Connecting Software a referir que "muitas pessoas vêem a Madeira como um centro interessante", salientando que a região autónoma tem boa conectividade à Internet, além da beleza da ilha e da sua qualidade de vida.
“A minha visão não seria trazer mais turistas, mas sim trazer mais negócios para a Madeira. Podemos criar uma empresa na Madeira para o mundo”, defende o CEO da Connecting Software.
Thomas Berndorfer acredita que, ao trazer mais negócios para a região, “atraímos mais pessoas para cá”. O CEO da Connecting Software reforça que, por exemplo, “ao trazer 20 pessoas para cá, temos 20 casas e famílias. Estas pessoas consomem e gastam dinheiro. O dinheiro vem para a Madeira, para a empresa, e a empresa dá dinheiro às pessoas, e as pessoas dão dinheiro à Madeira”.
O CEO da empresa acrescenta que, embora parte do dinheiro vá para os impostos, "todo o consumo das pessoas é na Madeira". “Se trabalhas aqui, gastas o dinheiro aqui. Se gastas o dinheiro aqui, todos beneficiam do dinheiro que gastas aqui”, defende.
Thomas Berndorfer explica que essa pessoa “já não é um turista que passa aqui algumas semanas de férias. É um trabalhador que fica na ilha e consome durante muito tempo. Isso traz valor à Madeira'.
O CEO da empresa argumenta que a Madeira “é uma ilha bonita, a vida é boa, a vida é equilibrada, há pessoas simpáticas, sol, bom tempo”, salientando que a região “tem muitas oportunidades, a questão é se se consegue ver essas oportunidades e se se consegue concretizá-las”.
Thomas Berndorfer também fala sobre a exposição da região ao turismo e o que aconteceu ao setor durante a pandemia e, por isso, adverte sobre a necessidade de alternativas.
“Pensar apenas em turismo é, na minha opinião, um pensamento errado. É preciso ter equilíbrio e diversificar”, afirma.
O Connecting Software foi lançado em 2004 através da Cross National Solution. Chegou aos Estados Unidos, através do Connecting Software Inc., e à Madeira em 2017.
